Connie Zhou retrata o magnífico centro de dados do Google

A fotógrafa de arquitetura Connie Zhou está acostumada com grandes projetos, de uma forma ou de outra. Seu último trabalho a tornou a primeira fotógrafa permitida oficialmente dentro dos gigantescos datacenters do Google. 

As imagens resultantes tornam armazéns cheios de equipamentos eletrônicos em belas fotografias. Veja abaixo uma entrevista com a fotógrafa e algumas das fotos divulgadas no final da matéria.

 

Você pode nos dizer um pouco da sua história como fotógrafa?

Eu cresci em Nova York e fui para La Guardia, um colégio de artes cênicas. Lá eu me envolvi com fotografia quando estava no terceiro ano. Cresci com um pai que foi para o FIT (Fashion Institute of Technology, em Nova York) – ele era um designer gráfico – então eu sempre fui rodeada por arte. Me formei em Fotografia pela Parsons e então comecei a fotografar para pequenas companhias de arquitetura. Minha maior chance foi ter sido publicada na New York Magazine enquanto eu ainda era estudante, em um artigo sobre o Lincoln Center.

 

O que foi que a atraiu para o espaço arquitetônico?

Eu acho que é porque tudo é muito gráfico. Interessava-me como eu poderia tornar esses edifícios e estruturas parecerem graficamente agradáveis pelas minhas fotografias. Ele sempre me atraiu mais do que outros gêneros como retrato ou moda.

 

 Como o projeto Google aconteceu? Você já havia trabalhado com eles antes?

Eu nunca tinha trabalhado com eles antes. Um dia, no começo desse ano, eu recebi um email de um dos meus contatos no Google. Eles explicaram o trabalho pra mim, então eu dei o meu preço e um mês depois eles me chamaram e disseram que eu consegui o trabalho. Nós então começamos a trabalhar no projeto, foi bem direto e ao ponto.

 

Outras pessoas que visitaram essas instalações ficaram admiradas pelo tamanho que ela realmente é. Você sentiu o mesmo?

É muito impressionante. O primeiro local que eu visitei foi o em Georgia, ele é gigantesco, e eles tem absolutamente tudo que você um dia poderia querer num ambiente de trabalho.

 

Por acaso o âmbito do cenário o tornou mais difícil de retratar?

Na verdade não, eu estou acostumada a fotografar objetos e ambientes bem grandes. Não foi muito complexo para mim fotografar os interiores ou exteriores porque eu estou tão acostumada. Foi impressionante e excitante, mas não muito complicado.

Na primeira instalação em Georgia, eu e minha escolta tivemos que nos locomover por um quadriciclo ao redor do local porque era tão grande e nós tínhamos todo esse equipamento. Foi divertido. Eles têm motonetas também. Eles têm todos os tipos de coisas legais.

 

Foi um pouco revigorante ver que o Google contratou um fotógrafo de verdade para documentar suas instalações – em adição ao método Street View que nós estamos acostumados a ver deles.

Eu acho que o objetivo era contratar alguém com um olhar fresco, alguém que nunca tinha ido para esses locais antes, para poder ajudá-los a mostrar para as pessoas como eles realmente são.


Eles te deram tempo para vistoriar os locais antes de começar o trabalho?

Eu apenas tinha que chegar e fazer acontecer [risada]. Eu passei uma semana em cada local e no primeiro dia lá eu ficaria vistoriando esse local enorme. Então eu passaria o resto do tempo fotografando.

Que tipo de equipamento você costuma trazer para uma sessão desse tipo? Você utiliza de lentes tilt-shift?

A maior parte das pessoas acha que eu deveria usar lentes tilt-shift, mas eu utilizo uma lente de 16-35 mm e corrijo pós-produção. Não é muito tradicional, mas eu acho que funciona pra mim. Eu fotografava usando uma 4×5, mas era demais para mim, muito pesada.

 

Você estava usando a luz disponível para as fotos ou você teve que fazer a iluminação você mesma?

Na maior parte do tempo eu utilizei da luz disponível, principalmente para os exteriores. Eu acordava 4h da manhã para ver o nascer do sol e ficava até as 10h da noite quando já estava escuro. Para os interiores, grande parte eu utilizei da luz disponível, mas se eu precisasse balancear algumas áreas ou se estivesse muito escuro, eu utilizava strobos Profoto.

 

Várias das fotos internas têm um brilho interessante sobre elas. Como você conseguiu fazer as salas parecerem tão dramáticas?

A maioria dessas salas de servidores são muito bem iluminadas. Quando eu estava fotografando, eu precisei pedir a eles para que desligassem todas as luzes no andar e então eu daria uma olhada ao redor para ver o que estava brilhando. Então eu tiraria as fotos e deixaria a luz vazar pelos meus sensores.

Confira as fotos abaixo:

Artigo traduzido e adaptado de: PopPhoto.com