O Metabolismo das cidades

Texto adaptado da Tese de Mestrado “Arquitetura e o Espaço Agrícola na Cidade. Sustentabilidade Participada: Um Projeto para o Vale de Carnide”

Por Carolina Cardoso, Arquiteta Supervisora da Vertix Arquitetura, Engenharia e Construções.

 

Ana Carolina Cardoso

Embora as cidades cubram apenas cerca de 2% da superfície da Terra, verificamos que estas consomem mais de 75% dos seus recursos (Wackernagel e Rees; Garnett, in Travaline, 2008:9), importando grandes quantidades de energia, recursos e alimentos para satisfazerem a população urbana e a necessidade de percorrer longas distâncias torna-as cada vez mais dependentes face ao exterior, do transporte e de técnicas de conservação dos alimentos. Consequentemente, tem-se verificado um aumento da quantidade de resíduos produzidos, originando graves problemas ambientais e ecológicos e comprometendo a qualidade de vida das populações.

metabolismo das cidades

A consciencialização das sociedades modernas face a estes problemas, originou novas abordagens sobre a interação das cidades com o ambiente natural e seus recursos, baseadas nos novos pressupostos trazidos pelo conceito de desenvolvimento sustentável. Tal como já foi abordado na Cimeira da Terra, uma das estratégias da sustentabilidade urbana parte do esforço da redução do consumo através da eficiência e de uma reutilização maximizada dos recursos (Girardet, in Rogers, 2001).

Neste sentido, surgem no âmbito da ecologia urbana, estudos sobre o metabolismo das cidades, com o intuito de compreender os mecanismos de transformação e degradação de energia e de matéria ocorridos em meio urbano (Bettini, in Gomes, 2010:56).

Resíduos

A reflexão sobre os problemas dos atuais modelos de funcionamento das cidades levou vários estudiosos, como Virginio Bettini, Abel Wolman e Herbert Girardet a identificá-los como processos metabólicos de caráter linear, com um elevado processamento de energia e uma grande produção de resíduos e poluição, funcionando como elementos independentes (Gomes, 2010). Neste sentido, Herbert Girardet, propõe a substituição destes “metabolismos” lineares (ver figura 1) por “metabolismos” circulares, (ver figura 2) onde o consumo seja reduzido através da implantação de eficiências e onde a reutilização de recursos seja maximizada. Este processo, de uso e reutilização, que conserva os recursos não-renováveis e insiste no uso de renováveis, de minimização das entradas de matérias-primas e maximização da reciclagem, proporciona uma diminuição da poluição e resíduos produzidos, um aumento da eficiência da cidade e a redução do seu impato no meio ambiente (Girardet in Rogers, 2007:30; Gomes, et al, 2010:63).

Deste modo, o desafio das cidades atuais está na transformação do seu processo metabólico linear em circular, onde o elemento chave é o ciclo. O ciclo funciona como princípio ecológico da natureza, visto que, os organismos alimentam-se de matérias e energia que por sua vez produzem resíduos, no entanto, os resíduos de uma espécie são os alimentos de outra e desta forma a matéria circula continuamente (Gomes, 2010:69).

BIBLIOGRAFIA

GIRARDET, Herbert (1999), Creating sustainable cities. UK: Green Books Ltd.

GOMES, Rogério (2010), ECO-BAIRRO, um conceito para o desenho urbano. Bubok Publishing S.L. Consultado na página da internet: http://www.docstoc.com/docs/47766376/rog%C3%A9rio-gomes-2010_ECOBAIRRO-UM-CONCEITO-PARA-O-DESENHO-URBANO P 53-83

ROGERS, Richard e GUMUCHDJIAN, Philip (2008) Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, SL.

TRAVALINE, Katharine (2008), Urban Agriculture: Enhancing Food Democracy in Philadelphia. Master of Science in  Science, Technology, and Society, Philadelphia: Faculty of  Drexel University